DIZ NUTS 🥜 #17: O Eclipse Solar Que Acendeu o Marketing Português

A 12 de agosto, o céu português escureceu durante minutos — e as redes sociais nacionais acenderam-se ainda mais depressa: do pastel de nata da RAR ao terminal Multibanco da ActivoBank, o eclipse solar transformou-se num dos fenómenos de real-time marketing mais participados do ano em Portugal. Mas nem todas as marcas brilharam da mesma forma.

Um fenómeno raro (e por isso, irresistível)

Ao contrário da maioria dos momentos virais, o eclipse não apanhou ninguém de surpresa. Sabia-se a data com meses de antecedência, via-se a olho nu (com os devidos cuidados) e dava para comentar em tempo real — três razões óbvias para gerar conteúdo. E foi isso que aconteceu: dezenas de marcas portuguesas, dos mais variados setores, decidiram que este era um momento a não perder.

Quando o produto vira eclipse

A abordagem mais comum foi também a mais óbvia: usar a forma circular dos próprios produtos para recriar o fenómeno. A RAR transformou um pastel de nata em eclipse, com a frase “os melhores eclipses acontecem à sobremesa”. A Lidl fez o mesmo com um croissant, e Pizza Hut, McDonald’s e Continente seguiram a mesma lógica com pizzas, hambúrgueres e outros produtos redondos. Do lado da tecnologia, a Staples apostou no trocadilho “e-(clips)”, a iServices recriou o eclipse com um iPhone, e a ActivoBank usou um terminal Multibanco.

Da piada visual à experiência de marca

Algumas marcas foram mais além do meme fácil. A Sumol lançou uma edição limitada com sabor novo, associada a uma playlist (#OSOMDOECLIPSE, com quase 500 mil visualizações) e a um roadtrip com concerto em livestream. A Zeiss juntou-se à Ciência Viva para distribuir óculos certificados — os três lotes esgotaram. A Vodafone transmitiu o eclipse em direto nos ecrãs do festival Paredes de Coura, e a Iberia operou um voo especial só para o acompanhar. São exemplos que exigiram planeamento, parcerias e semanas de preparação — não apenas uma legenda bem-humorada.

E nós? Também entrámos na conversa

Não fomos exceção. Na Dizain, aproveitámos o eclipse para falar do que fazemos todos os dias: “O eclipse dura apenas alguns minutos. A falta de estratégia pode durar meses. Nós preferimos manter a sua marca à vista.” Sem imagem de comida, sem trocadilho fácil — só a ideia central do nosso trabalho, vestida a rigor para o dia.

O mesmo aconteceu com dois dos nossos trabalhos. A G3Tech ligou o fenómeno à cibersegurança: “Hoje o eclipse é inevitável. Os ataques informáticos não. Com a proteção Sophos, o único eclipse que queremos que veja é o que acontece no céu.” E a Portas e Portões do Norte usou a raridade do eclipse para reforçar a fiabilidade do produto: “Há fenómenos que só acontecem de vez em quando… Um portão da PPNorte a falhar — esse é que tentamos que nunca aconteça.”

Três marcas, três negócios diferentes, mas o mesmo princípio: usar o eclipse não como imagem, mas como metáfora do que realmente se vende.

Nem todas as marcas brilharam da mesma forma no eclipse

Aqui fica só uma constatação: o alimento redondo virou o eclipse do dia em dezenas de posts diferentes — pastel de nata, croissant, pizza, hambúrguer. É uma ideia fácil de replicar, e foi replicada tantas vezes que deixou de diferenciar quem a usou. Não significa que estas ações tenham sido más; significa que, quando todos fazem a mesma piada, é a piada que fica na memória — não a marca. As que ligaram o fenómeno a um produto, uma parceria ou uma experiência concreta (como a Sumol ou a Zeiss) tiveram uma vantagem óbvia: não dependiam só da piada para serem lembradas.

A verdadeira lição: o calendário já sabia

O mais interessante é que, ao contrário de um sismo ou de uma polémica inesperada, a data do eclipse era conhecida há meses. Isso significa que a diferença entre uma marca e outra não esteve na criatividade pura, mas em quem começou a preparar-se mais cedo. Quem só reagiu no próprio dia teve, na melhor das hipóteses, uma piada visual. Quem planeou com antecedência teve tempo para construir algo com identidade própria — produto, parceria ou experiência.

No fim, quem não teve plano ficou na sombra

O eclipse durou poucos minutos, mas deixou uma lição que vale para qualquer fenómeno sazonal ou previsível: não se trata de ser o primeiro a publicar, mas de ter, com antecedência, uma ideia que realmente pertença à marca. Caso contrário, o resultado é só mais uma sombra a passar.

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