Em julho de 2023, a Meta lançou a sua nova rede social: o Threads. Apresentada como a alternativa direta ao Twitter (agora X), parecia ter tudo para ser um sucesso. Criada pela gigante por trás do Instagram, Facebook e WhatsApp, e impulsionada por um lançamento agressivo, a aplicação atingiu 100 milhões de utilizadores em apenas cinco dias, um recorde histórico.
Mas como é que algo que começou com números tão promissores perdeu tração tão rapidamente? Onde falhou o Threads e o que é que isso nos ensina sobre branding, estratégia de produto e o comportamento digital em 2025?
Quando o hype falha e a atenção desvanece
Ao contrário de outras redes que conquistaram uma base de utilizadores orgânica e fiel, o Threads foi empurrado de forma massiva. A integração direta com o Instagram e as notificações invasivas da Meta garantiram uma adesão explosiva, mas pouco sustentável. Muitos aderiram por curiosidade, mas a falta de uma proposta clara fez com que o entusiasmo desaparecesse rapidamente.

O tempo médio de utilização caiu drasticamente nas semanas seguintes ao lançamento, e a ausência de funcionalidades básicas como hashtags, pesquisa avançada, versão desktop funcional ou trending topics deixou muitos utilizadores com a sensação de estarem numa versão beta de um Twitter mais simpático, mas pouco apelativo.
Branding e Threads: Quando a identidade não acompanha o produto
O Threads falhou em criar uma identidade própria. Desde o início, foi visto como “o clone do Twitter da Meta” e nunca conseguiu escapar a essa comparação. Não havia uma cultura própria, nem um tom de voz distinto. Enquanto o X, mesmo sob liderança controversa, mantém uma comunidade fiel e ativa, o Threads parecia um espaço vazio, demasiado polido, com pouco conflito, pouca diversidade de vozes, tornando-o assim aborrecido.
Num mundo onde as plataformas vivem de comunidades e da energia das interações reais, o Threads acabou por parecer artificial.
Ainda há futuro para o Threads?
Estamos em 2025, e embora o Threads continue a existir, a sua relevância permanece marginal. A Meta já lançou várias atualizações, corrigindo algumas falhas iniciais e tentando posicionar a plataforma como um espaço mais positivo e moderado, em contraste com o ambiente mais caótico do X.
Mas o desafio permanece: o Threads precisa de um motivo para existir, algo que vá além da simples concorrência com o Twitter. Precisa de se diferenciar, de cultivar uma imagem própria e de oferecer valor claro à sua comunidade. Até lá, continuará a ser recordado como mais uma tentativa falhada de replicar o sucesso alheio.
O que podemos aprender com este caso?
O caso Threads é um excelente exemplo de que uma boa ideia, mesmo com muito investimento, não sobrevive sem alma. O sucesso de uma plataforma social não depende apenas da tecnologia ou do marketing agressivo, mas da capacidade de construir uma comunidade, uma identidade e um valor autêntico para os seus utilizadores.
Num ecossistema digital cada vez mais saturado, a atenção é volátil e só as plataformas que conseguem tocar em algo mais profundo, emocional ou cultural, sobrevivem à velocidade do scroll.
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